Crianças
Respiração oral na infância: sinais que merecem atenção
O nariz foi feito para respirar: ele filtra, aquece e umedece o ar. Quando uma criança passa a respirar pela boca de forma habitual, o problema vai além do incômodo. A respiração oral pode interferir no sono, no comportamento, no aprendizado e até no crescimento do rosto e da arcada dentária.
Sinais que os pais podem observar
- Boca aberta durante o dia, assistindo TV ou brincando.
- Ronco, respiração ruidosa ou pausas na respiração durante o sono.
- Sono agitado, posições estranhas na cama, travesseiro molhado de baba.
- Olheiras, cansaço ao acordar e sonolência durante o dia.
- Irritabilidade, agitação ou dificuldade de concentração na escola.
- Lábios ressecados e mau hálito.
- Dentes desalinhados, mordida cruzada ou aberta.
- Resfriados, otites ou sinusites frequentes.
Por que acontece
Na maioria das vezes, existe algo dificultando a passagem do ar pelo nariz. As causas mais comuns são:
- Aumento da adenoide e das amígdalas: é a causa mais frequente nas crianças, especialmente entre 2 e 7 anos.
- Rinite alérgica: a mucosa inchada reduz o espaço para o ar.
- Outras alterações nasais: como desvio de septo, menos comum na infância.
Mesmo depois que a causa é tratada, algumas crianças mantêm o hábito de respirar pela boca, porque a musculatura do rosto e da língua se adaptou a esse padrão.
Por que tratar cedo
O rosto da criança está em crescimento. Com a boca aberta por longos períodos, a língua fica em posição baixa e deixa de estimular o desenvolvimento do céu da boca. Com o tempo, isso pode levar a um palato mais estreito e profundo, alterações na mordida e um rosto mais alongado.
O sono também sofre. Uma criança que ronca e dorme mal pode apresentar cansaço, irritação e dificuldades de atenção que às vezes são confundidas com outros problemas de comportamento. Tratar no momento certo aproveita a fase de crescimento e evita correções mais complexas no futuro.
Como é a avaliação
A consulta começa por uma conversa detalhada com a família sobre o sono, a respiração e a rotina da criança. O exame do nariz e da garganta pode ser complementado pela videonasofibroscopia, um exame rápido feito no consultório que mostra o tamanho da adenoide e as condições do nariz. Em alguns casos, a polissonografia (exame do sono) ajuda a medir o impacto do problema.
Um cuidado em equipe
A respiração oral envolve várias áreas. O tratamento depende da causa e pode incluir:
- Tratamento clínico da rinite e da inflamação nasal.
- Cirurgia de adenoide e amígdalas, quando há indicação.
- Acompanhamento com odontopediatra ou ortodontista, para orientar o crescimento da arcada.
- Fonoaudiologia, para reeducar a musculatura e o padrão de respiração.
Quando esses profissionais conversam entre si, a criança recebe um cuidado mais completo e os resultados costumam ser mais duradouros.
Quando procurar o otorrino
Se o seu filho dorme de boca aberta, ronca com frequência ou apresenta vários dos sinais acima, vale uma avaliação. Ronco na infância não deve ser considerado normal.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
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